Nessa semana que passou, me deparei com uma coincidência intrigante de fatos, para se dizer o mínimo.

Faz exatos seis meses que voltei de uma consultoria no Canadá, onde, para minha surpresa, encontrei profissionais, na média, menos qualificados que os que encontro em meus contatos por aqui. O geral que vi foram verbas inversamente proporcionais à competência de seus executores.
Pois não é que nessa mesma semana percebo que o MS-Surface apareceu antes (e gerou comentários de nível mais alto) no post que fiz com vocês que nos podcasts de tecnologia que considero referência, como este e este. Além disso, o autor do cartaz do James Brown me manda uma mensagem extremamente lisonjeira, um colega traduz um post meu para o inglês e o publica em um blog na austrália, um grupo de inventores de Bauru resolve trocar uma idéia, estudantes comentam textos publicados no TED e na AIGA, o trabalho de meu bróder Bruno Porto sai publicado no livro do Sagmeister e, para coroar os acontecimentos, recebo este maravilhoso comentário de meu amigo Ale e ainda tem feriado com sol…
Pois é. Já houve um tempo que os EUA eram o futuro, e que uma viagem para uma feira na Califórnia (ou para se comprar livros em Nova York) compensava o investimento por garantir uma vantagem competitiva significativa. Tempos estranhos esses, em que não se compartilhava muita informação e que o mundo era composto de uma série de pequenos feudos.
Essa mudança é, sem dúvida, algo a comemorar. E antes que se pense que escritórios no Brasil com clientes estrangeiros são “sweatshops” de mão-de-obra barata, vale considerar alguns fatos recentes. Um amigo meu usa os serviços de uma sweatshop de animação… Belga! O César Paz monta um centro de excelência da AG2 em Pelotas, o Adhemas se dá bem fazendo frilas para o mundo todo e o André Matarazzo resolveu montar sua gringo.nu no Brasil, mesmo com a CLT, os impostos extorsivos e o dólar supervalorizado. Acredito que cada um deles deva ter, como eu, seus próprios motivos.
Um fato, no entanto, é incontestável: em um mundo que fica exponencialmente menor a cada dia, sair do país é como ter um site. Não basta “estar lá”, é preciso ser relevante.
O que poderia levar à questão da identidade nacional do design, mas será que isso ainda é relevante em um mundo hiperconectado?
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Luli, você mandou muito bem nesta postagem ;)
Por incrível que pareã essa semana tive um seminário sobre este tema, e chegamos num ponto onde o designer brasileiro sempre busca inspiração em paises desenvolvidos ao inves de utilizar de sua cultura pra criar melhores soluções projetuais. Temos leves excessões como os irmãos campana, aluisio magalhães e outros!!!
Vlw luli!!!abraços…
Você comentou esse lance do Canadá no Podcrer.
Um professor meu (Cicero Inacio da Silva) que voltou agora dos Estados Unidos, falou que é legal entrar em contato, tentar um estágio, ficar lá alguns meses (nem que seja os 2 meses de férias) e voltar pra cá e ficar trabalhando como freelancer pra eles. Falou que tem uma amiga que voltou de lá, mora no meio do mato em Cotia e faz freelas pra várias empresas de lá.
A conversa (que eu tenho gravada, inclusive) nos estimulou a buscar contatos lá fora. Com isso teríamos uma rede de contatos e não abandonaríamos o Brasil - ele falou que o imigrante lá ainda encontra problemas.
Falando com outros profissionais daqui, muitos falam que é relevante ter trabalhado lá fora, que pra arrumar trampo bom aqui fica mais fácil. Tenho vontade de ir trabalhar fora, pra pegar experiência mesmo, conhecer outra cultura e depois voltar pra cá e ficar trabalhando daqui.
Dá pra ficar discutindo horas e horas, é bom ouvir a opinião de quem já está no mercado há anos.
Belo post Luli.
Abraço
Yeah! Muito bom!
Este aspecto de supervalorização gringa, e ao mesmo tempo [eu como já comentei] uma desvalorização interna…eh um grande tema para este DWD3 virtual.
Quais os pontos que podemos ver, diferenciar, misturar, ressaltar com relação ao “lá fora” e o “aqui dentro” hoje em dia? Mesmo que esta separação teoricamente não exista…
Até onde a “cultura” influencia na comunicação digital?
Como unificar o mundo e a sua cidade ao mesmo tempo?
Muito bom mesmo. Isso vai longe!
O Mais legal ainda, é que tambem sou de Bauru! UHUL!
Não estamos longe do Canadá, de SP é mais perto ainda, então apareça dia destes por aqui para reunirmos com os amigos inventores que citou e tomarmos uma Coca Zero. [Argth!]
Grande abraço Luli! =)
Luli,
post perfeito, jogou meu patriotismo lá pra cima!
Minha opinião é que essa evolução dos profissionais brasileiros é conseqüência do tempo de navegação na web, as pesquisas apontam o Brasil como o país que mais tempo navega, somos também um dos que mais crescem em número de internautas. Com a informação ao alcance de qualquer usuário o conhecimento passa a ser item fácil no profissional brasileiro, é só completar com um diferencial competitivo, e isso está no sangue do nosso povo, talento é matéria prima aqui, lá de “fora” vem as técnicas.
Ah! é claro, tomo liberdade de agradecer em nome de todos leitores do seu blog pelo conhecimento que é gerado aqui, você é protagonista dessa evolução e nós ficamos muito grato por isso.
Grande Abraço!
Uau, que alegria de ser Bauruense ! Me deu vontade de subir duas quadras e comer o famoso lanche Bauru no tradicional Skinão, aqui da cidade.
Mas é bem isso mesmo, foi-se o tempo em que todo e qualquer estrangeiro tinha aquela superioridade por natureza. Tenho acompanhado algumas inovações na construção de códigos-fonte e/ou aplicações malucas para sites e vi como o brasileiro está avançado nisso. Basta procurar qualquer assunto ultra-inovador no google e verá que centenas de pessoas estão com a mesma dúvida ou compartilhando da mesma solução, prova de que estamos absolutamente “por dentro” do que rola de melhor por aí !
Valeu pela lembrança, Luli !
Renan
Issó é o mundo moderno! hehehee.. tem um livro ótimo do Thomas L. Friedman chamado O Mundo é Plano, nesse livro ele fala do início da internet até os tempos atuais. Abraço
Excelente dica, Saulo. Eu só não coloquei o livro do Friedman na minha lista porque ele não é de design, mas vale muitíssimo lê-lo.
é realmente impressionante como a gente ainda tem tendencia a achar que o q vem de fora é melhor. faz quase 4 anos que moro na argentina (e digo que o design daqui muitas vezes dá de mil a zero no brasil) e é impresionante como eles babam oq se produz no brasil. empresas como lobo e um par de artistas urbanos sao louvados por aqui.
igual, to totalmente de acordo. com um mundo taaao “conectado” nem livro de design eu compro mais. tantos flickrs de designers foodas, tantos portfolios virtuais, tantos fotologs, e assim se criam as cadeias de relacoes. designers fodas de todo o mundo se conhecem e se relacionam (ainda que seja virtualmente…) e viajar, sim, é preciso… ainda que toda a informacao esteja ao alcance de um clique!!! pq respirar a brisa do mar ainda é muito melhor que olhar uma foto do caribe!!!
bjs e saludos a todos