Continuando a série de recomendações deste post, seguem mais 10 dicas de autopromoção. Como as anteriores, estas são bastante éticas e não fazem mal a ninguém. Vamos a elas:
- Ofereça consultoria gratuita - as pessoas só são capazes de reconhecer o valor das coisas que lhes são familiares. Para quem não é um Gourmet, o preço de um bife Kobe sempre será abusivo. Como não há uma educação formal em design, comunicação visual e interfaces digitais, muitas vezes o seu cliente não faz idéia do trabalho que dá aquilo que ele pede - e a hora do aperto não é um bom momento de discutir, pois vai parecer desculpa esfarrapada. Para evitar isso, você pode recorrer a uma iniciativa muito mais simpática: marque reuniões e seminários educativos com seus clientes (reais ou potenciais) e, neles, explique, de uma forma bastante simples, clara e objetiva, seu processo de trabalho e, nele, o trabalho envolvido em cada tarefa, das mais simples às catastróficas.
- Seja confiável - não apavore seu cliente. Cuidado com o que você fala, com a forma com que se apresenta, e, principalmente, com preços e prazos. Uma iniciativa em comunicação serve para construir uma imagem, por isso depende muito da confiança de ambas as partes. Se ele não sentir que pode colocar sua marca (vale relembrar que ela é o bem mais precioso de uma empresa) nas suas mãos, certamente não o fará. E só o chamará para trabalhos que não recheiam o bolso nem o portfólio.

A propósito: você conhece alguém que
ainda não ODEIA chavões como este acima
e os da FreeDigitalPhotos.net ? - Colabore - com o cliente, com seus colegas, com a concorrência, com profissionais de áreas relacionadas. Aquele fotógrafo precisa de um site? Faça na camaradagem, seja solidário. Se você pretende atuar por muito tempo na sua área, saiba que quanto mais amigos tiver, melhor será seu ambiente de trabalho e a qualidade das coisas que você fará. Isso sem contar a possibilidade de algum colega dar uma boa ajuda ou até arranjar algum cliente pra você, só porque você lhe deu um apoio descompromissado há tanto tempo que nem se lembra.
- Seja coerente - não importa se esta ou aquela tendência de mercado são verdadeiras minas de ouro. Se você tem uma pizzaria, não pode vender sushi, hambúrguer ou churrasco. Seus potenciais clientes precisam saber claramente o que você faz, e em que coisas você simplesmente “é o cara”, o maior expert no assunto. Por isso seu discurso precisa ser claro e objetivo. Se o cliente precisa que você faça algo simples, muito bem pago, em uma área que você não domina, lembre-se do item anterior. E JAMAIS cobre comissão de seus colegas. É feio e eles não costumam esquecer, por mais zen que sejam.
- Tenha paciência - se você não é o tipo que acredita em regimes ou programas de ginástica milagreiros, por que iria acreditar em uma carreira fulminante ou em fórmulas de enriquecimento instantâneo? Mesmo que você acredite em fórmulas mágicas, fica a dica: quem sobe rápido precisa fazer um belo esforço para não despencar ainda mais depressa. Se você pretende se aposentar na área em que trabalha, tenha em mente que provavelmente terá uns 60 anos de carreira. Não faz o menor sentido chegar ao topo nos primeiros três anos. Nem nos primeiros vinte. Eu ainda estou longe de chegar na metade da minha, veja você.
- Não se venda barato - não acredite na conversa de clientes espertos que peçam trabalhos “em parceria”, “no risco”, “como parte de uma concorrência” ou qualquer outro eufemismo para que você trabalhe de graça. A servidão voluntária só dá frutos em filosofia. Se o cliente é sério, ele paga. Se não paga, é porque não dá valor. Se você acha que, ao emplacar alguns jobs subfaturados só pra “entrar lá”, vai atrair a simpatia do cliente, tenha consciência que você age como aqueles sujeitos carentes que fazem qualquer coisa por um fiapo de atenção. E que provavelmente vai se dar tão bem quanto eles.
- Saiba administrar seu negócio - por mais que você não goste de administração financeira ou contabilidade, saiba que vai precisar ter uma noção, mesmo que pequena, desses assuntos. Senão você jamais saberá se está ganhando dinheiro com seu trabalho. Uma consulta a um advogado também pode ajudar a poupar dores de cabeça com clientes e fornecedores. Acima de qualquer coisa, lembre-se que o principal patrimônio do seu negócio é a sua imagem. Ter inimigos é prejuízo, por isso eles precisam ser poucos (e merecerem). Um cliente que não dê muito dinheiro mas considere você a reencarnação de Sua Santidade o Dalai Lama, sob esse ponto de vista, é extremamente valioso. Não é nem preciso dizer como podem sair caras algumas bobagens ditas por você (ou pior, atribuídas a você) nas vielas escuras do Orkut, não?
- Seja controverso - essa dica só vale para quem tem um grau razoável de conhecimento em sua área de trabalho. Sempre que possível, e sem exagero, manifeste opiniões que destoem do senso comum. Identifique uma ou outra vantagem no Windows Vista, mostre como o iPhone não é bom para se digitar textos longos… Sempre com argumentos sensatos e desprovidos de emoção. Mas cuidado para não servir de vidraça, defendendo coisas como o SecondLife. Se seu ponto de vista for sólido a ponto de fazer com que sua audiência pense no assunto, isso será uma boa promoção. Mas essa dica é controversa (como não sê-lo?), pois o tiro pode sair pela culatra.
- Conheça suas fraquezas - todo mundo as têm. Você é um cara de grandes idéias mas tem problemas em viabilizá-las? Ou é um grande ilustrador, mas pisa na chapinha cada vez que precisa desenvolver algo novo? Você toca seus projetos com precisão, mas escorrega nos prazos? Ou cobra mal? Sabe tudo de CSS mas não consegue escolher uma combinação decente de cores? Isso acontece. É melhor perceber suas falhas e, enquanto procura melhorá-las, se associar a alguém - ou até mesmo evitar determinados trabalhos. Mas para identificar suas fraquezas (veja bem, eu não disse forças) é preciso uma boa dose de humildade e autocrítica. Mesmo que seja devastador para a auto-estima, esse processo costuma levar a um melhor conhecimento de sua área de atuação e seu espaço no mercado. E certamente livra você do mico de ser um daqueles imbecis autocentrados que acreditam só ter qualidades.
- Seja o melhor que você puder - por último, a mais importante de todas as recomendações. Esforce-se para se superar a cada instante, alegre-se se seus trabalhos feitos há 5 anos parecerem primários, estude e procure melhorar sempre. Você é seu maior adversário nessa corrida. E ela não tem fim.
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vamos lá:
2. super-importante. sempre penso nisso e continuo pensando. é vital!
3. colaborar é legal, mas sempre tem gente que não reconhece… aí, é complicado!
4. de acordo! mas, vejo tantos por aí que sabem tudo de tudo… (como tb o fato de ter vários auto-proclamados “diretores de arte” ou webdesigners por aí…)
6. se vender barato nem é um problema… o problema é quando, mesmo justo, nao querem pagar teu preço e sim negociar!
7. isso serve pra tudo, até pra vida!
8. sim, até que é bom. mas, antes, é necessário ter bom senso!
9. análise SWOT!
;-)
Caaaaara, eu sempre procurava focar nas minhas qualidades e acaba esquecendo as minhas fraquezas. Tai uma coisa que eu vou pensar melhor doravante.
vlw
Luli, mais uma dica de Dale Carnegie “faça amigos e iunfuencie pessoas”.
É, hoje as coisas por aqui estão quaaase certas. Se eu tivesse lido antes, provavelmente não teria adiantado muito. A gente só aprende na hora do tropeço, do erro, do prejuízo, nas horas que você pára e solta aquele ‘termo técnico’.
Belíssimo post.
Eu achei particularmente relevante a regra da humildade.
Vivemos num mercado repleto de “gênios” e “semi-deuses”, portanto acredito que será difícil, para muitos, aceitar suas fraquezas. Espero que isso ocorra rápido, pois estou realmente cansado de genialidade instantânea.
Parabéns pelo post.
O que mais me chamou a atenção, foi a parte em que cita que a estrada é longa e que nao existe formula para ser um ultra profissional estantaneo.
Pois eu, como todo bom muleque vislumbrado, as vezes fico numa sede sem fim para correr sabe deus pra onde. Numa pressa, achando que o mercado vai passar e ficarei para traz.
E esta visao, de ir amadurecendo, caminhando, cauda longa, acalmou meus afoitos sentimentos. Tem lugar pra todo mundo e agradeço por esta parte do topico em especial.
Abraçao!
O que achei mais interessante é que o segundo post termina apontando para o começo do primeiro post da série: Não existem fórmulas, mas se vc quiser um caminho das pedras…
Muito legal, Luli. Obrigado.
Para completar, li um post muito bom de Andy Rutledge sobre uma possível 21a. regra: “Caia com graça” (http://www.andyrutledge.com/falling-down.php). O que acha?
(ok, sei que, se a gente quiser, a lista torna-se interminável, algo como verdades sobre Chuck Norris, mas quem disse que este “caminho das pedras” tem fim?)
As 10+10 dicas são ótimas. E talvez o caminho das pedras seja saber utilizá-las de forma consciente, quando priorizar uma rota sem deixar as outras abandonadas, sem esquecer da paciência, coerência e colaboração.
Obrigado a todos. Uma vigésima-primeira dica talvez seja: não saia por aí a dizer o quanto você é bom, porque isso é tão ridículo quanto aqueles caras que, bêbados em um bar, saem berrando o quanto são bons de cama. Ninguém acredita e isso só os desmerece.
Se esforce para ser o melhor possível e o mundo fará sua promoção. Enquanto isso não acontece, tenha paciência. Às vezes o reconhecimento leva mais tempo do que merecido, mas ele sempre vem.