Usabilidade: ame-a e odeie-a
Em um cibermundo frio e digital, eis um assunto que provoca emoções, às vezes quase tão exaltadas como as provocadas por jogos de futebol. Em todos os lugares, designers de web, planejadores, arquitetos de informação e publicitários online são apaixonados, odeiam ou se incomodam com o tema e às vezes discutem animadamente, a ponto de ninguém ser indiferente a ele. Ainda bem.
Usabilidade é um fator polêmico, controverso mas muito importante na definição e estruturação de websites. Em um equivalente do design de objetos, ela é como a ergonomia: irritante, porém necessária; fundamental, entretanto monótona. Seus defensores argumentam que de nada adianta uma bela cadeira que seja desconfortável, seus opositores afirmam que o leve desconforto é o motor da inovação. E ambos estão certos.
Os argumentos pró-usabilidade são tão conhecidos quanto chatos. Seu principal é que um site é tanto melhor quanto maior for o número de usuários que tem acesso a ele. Para isso, quanto mais conhecida e fácil for a interface, melhor. Deficientes visuais, velhinhas, quarentões sem experiência digital, crianças, todos têm que ter acesso fácil e rápido. Já dá pra imaginar como deve ser emocionante uma interface dessas, em que “não pode” é a regra.
Por outro lado, os argumentos contra a usabilidade são emocionantes e se apóiam nos videogames, mostrando que continuaríamos a usar DOS e a jogar Telejogos se não se inventassem coisas esquisitas, novas, difíceis, que obriguem o usuário a deixar de ser preguiçoso e se dedicar a aprender a operar o novo sistema. O mesmo se dá com operações mais complexas com eletrônicos, computadores etc.
Desse jeito parece até que a usabilidade deixa os sites como corredores de Fórmula 1 em dia de chuva, nivelando-os por baixo, o que não é verdade. Os dois lados representados aqui são exagerados: inovação e usabilidade, usadas com parcimônia, combinam muito bem. Quem já trocou de marca de telefone celular sabe que, por mais que o aparelho seja belo e poderoso, a facilidade de uso é muitas vezes fundamental. Como não há regras para o conjunto de botões que deve ser apertado, pouco importam as novidades do telefone se você tem que apertar sete vezes um botão para acessar sua agenda de telefones.
Como sempre, o que vale é o bom senso e cabe à e equipe de planejamento e implementação (designer incluído) definir o que é mais importante: acesso ou inovação. Se o website é de um serviço, entende-se que sua eficácia seja medida pelo número de atendimentos e, portanto, ele deve ser o mais aberto possível.
Entretanto, se o objetivo de um website for seu conceito, se o produto representado tiver que ter personalidade e se impor perante seu público, então o importante é atitude. Nesse caso é muito mais importante a atitude que o acesso e alguma dificuldade é até bem-vinda, pois mostra que o produto “não é para qualquer um”.
Falem bem ou falem mal, o importante é que o designer nunca deixe de considerar a usabilidade em seus projetos. Mas, sempre que possível, ele deve evitar se pautar por ela. Em outras palavras, é como um poste de rua. Se você está sóbrio, serve como iluminação. Se está bêbado, como apoio.
Popularity: unranked [?]
Comente este post ou dê um link do seu site.
Acompanhe esses comentários.
Seja legal, não fuja do tópico.
Não faça nada que você não faria.
Se souber HTML, pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>